Com o passar dos anos pude finalmente notar o quanto me enganei a respeito dos meus sonhos e vi que meus valores estavam invertidos. Quando menina tudo que eu queria era crescer, me tornar mulher, ter peitos grandes e poder usar sutiã sem enchimento e quem sabe sem querer muito de a natureza me tornar bela também por que não?! Poderia acontecer não é mesmo. E esses pensamentos e sonhos simplórios me pareciam criticamente importantes, porque eu me via tão pequena, feia e sem nada a oferecer, que o tempo me faria ''melhor'' do que eu era naquele momento. Meu cabelo cacheado me incomodava, não combinava com meu rosto redondo, não mesmo, era um saco tentar arrumá-lo todas as manhãs. E ouvir meu pai falando que eu estava uma princesinha, fala sério! Ele estava cego, não havia um traço em mim sequer que lembrasse uma princesa, e as roupas que tortura eu era tão magra que eu precisaria de um cinto para deixar o outro apertado, vida difícil, mas assim que eu crescesse tudo seria mais fácil e eu seria uma mulher linda e de corpo voluptuoso. Havia tantas vontades e sonhos que somente o tempo poderia supri-los e assim eu me sentiria plena. Mas cada parte minha me dizia baixinho no meu ouvido que eu sentiria falta daqueles dias de tormento. A cada dia que passei da minha doce infância seja naquela grama verdinha cheia de florzinha, ou brincando naquele barro sujando toda a minha roupa, ou brincando de subir naquelas imensas árvores, eu fui redobradamente feliz, meu rosto era diariamente bombardeado de risos e era ileso a sentimentos ruins, a minha alma de criança era meu escudo, nada me atingia. Mas naquele momento eu deixava passar despercebido, aqueles lances de mocinha e namoradinhos tomavam uma parte da minha confusa cabeça. Mas o tempo passou e ele foi tomando tudo e mais um pouco, mas o que é realmente engraçado é que a gente não percebe o tempo passar mesmo ele passando, em algum momento paramos e dizemos para nós mesmos : 'Como o tempo passou'. E vemos o quanto deixamos de fato para trás e aqueles probleminhas passam a nos fazer falta, porque a nossa vida aquela que planejamos anos a fio durante a nossa infância não é assim tão magnífica. Tudo muda, tudo se torna mais literal, nada se resolve apenas com desculpas, e os sorrisos não são tão apreciados. E começam aquelas comparações com a vida que costumávamos levar. Percebemos que os amigos, não são tão amigos assim, que as dores não passam da noite para o dia, que palavras machucam mais que tapas e que nada dura para sempre. E de repente você percebe que os peitos pequenos, a magreza, o cabelo cacheado, o rosto redondo e a feiura não lhe parecem tão ruins assim. E você se vê nesse irônico país das maravilhas, um mundo doido, no qual nada faz sentido tudo o que se sabe sobre ele muda segundos depois, e você passa a querer a não fazer parte dele, e voltar para o seu mundinho de criança onde os problemas se resolve com lápis, borracha e umas respostas de alguns nerds se possível. Em um mundo onde é tão desejado pelas crianças deveriam copiar algo, ao menos a simplicidade. De toda minha infância, de todos os detalhes, a simplicidade é o que mais faz falta. Não havia complexidade, era realmente tudo simples, porque no mundo dos adultos tudo tem que ser exato, explicado, editado, assinado, representado, julgado e aprovado. É assim a diferença de ambos os mundos, sabe qual é? Engana-se quem pensa que é faixa etária, no mundo das crianças nada precisa de explicação. Porém somente em um deles você deixará de ser um habitante temporário, para que no outro você seja permanente, mas o outro viverá em você para sempre.
E com o tempo eu aprendi que meus sonhos e valores estavam invertidos, eis as duas grandes lições: 1º Só damos valor as coisas quando perdemos as mesmas. 2º E que humanos não sabem o que querem.
Eu tinha tudo em minhas mãos, e as deixei ir.
E hoje só posso vê-las em minhas lembranças.
Eis meu conselho:
Mesmo que ninguém seja criança para sempre, tente manter algum sentimento daquele universo em você, porque uma vez que se perde, você nunca mais o terá.
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